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Por que as passagens aéreas para Ilhéus são tão caras? Entenda os motivos e como essa realidade pode ser transformada

Um problema que afeta toda a região sul da Bahia. Atualmente, o Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, opera apenas em modo visual. Isso significa que o piloto precisa enxergar a pista a 5,5 quilômetros de distância para conseguir pousar. Na prática, em dias de chuva, isso quase nunca acontece. O resultado? Voos cancelados, atrasos constantes e insegurança para quem precisa viajar. E tudo isso impacta diretamente o preço das passagens, que ficam mais caras para compensar esses riscos.

Mas existe solução — e ela está ao nosso alcance. Diferente do que muitos pensam, não é necessário construir um novo aeroporto ou investir em equipamentos caros. A solução já existe e é utilizada em diversos aeroportos do Brasil: o pouso por instrumento, com tecnologia via satélite.

Com o sistema GPS RNP AR, as aeronaves podem se aproximar muito mais da pista — mesmo em condições de baixa visibilidade — reduzindo drasticamente cancelamentos e custos.

O que precisa ser feito?
Para que isso se torne realidade em Ilhéus, é necessário que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA),ligado à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) desenvolva uma nova carta de aproximação, permitindo que a distância mínima de visibilidade seja reduzida de 5.500 metros para cerca de 1.600 metros.

Esse avanço já aconteceu em vários aeroportos brasileiros. Ilhéus não pode ficar para trás.

O principal argumento para a não implementação desse sistema é a existência de obstáculos próximos à pista. Mas a própria legislação brasileira permite exceções quando há interesse público – a bem público – desde que a segurança seja garantida. E exemplos não faltam: aeroportos como o Santos Dumont (RJ) e Fernando de Noronha operam com condições ainda mais desafiadoras.


Estudos anteriores apontavam cerca de 70 obstáculos no entorno do aeroporto — a maioria simples de resolver, como árvores e postes. No entanto, um novo levantamento contratado pela atual administradora, a Socicam, elevou esse número para 330 obstáculos, incluindo estruturas em outros municípios. Ao analisar esse novo estudo, foram identificados erros básicos, como a indicação de torres e celular em outros municípios, o que levanta dúvidas sobre sua confiabilidade. Enquanto isso, surgem propostas de construção de um novo aeroporto em Itabuna, ao invés de resolver o problema existente em Ilhéus.

Não podemos aceitar isso. Ilhéus tem um aeroporto com mais de 80 anos de operação. Ele pode — e deve — ser melhor aproveitado. Com a adoção do pouso por instrumento, teremos: passagens mais baratas, menos cancelamentos, mais opções de voos e horários, maior movimentação econômica, ampliação do transporte de cargas, tudo isso sem a necessidade de grandes obras.

O que falta agora?
Falta ação. É necessário que a Socicam protocole, junto à ANAC, o pedido de homologação para que o aeroporto opere por instrumento. Esse passo simples já poderia ter sido dado há mais de um ano.

O Instituto Nossa Ilhéus está mobilizando a sociedade e dialogando com autoridades para que essa mudança aconteça.

Mas essa transformação depende de pressão e participação popular.

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Ilhéus merece um aeroporto mais eficiente, acessível e preparado para o futuro.

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